Até que enfim o Natal
Ora bem, o Natal... Muito lindo, muito lindo... em teoria. Na realidade, o natal não é nenhuma festa da família, nem festa do amor, nem festa da compaixão,... é a festa do consumismo, e dizer que não é, ou 'não só mas também' é estar a querer viver numa ilusão muito querida e fofa, mas ainda assim ilusão.
Sim, porque se o Natal fosse de facto a festa da família a única coisa importante seria o jantar em que a família se reúne e fica até às onze da noite a conversar à mesa, entre chocolates e cafézinhos e copinhos de uma bebida qualquer. E se fosse a festa do amor a única coisa importante seria dizer às pessoas que amamos que as amamos e passar, como dizem os ingleses, quality time com a família. E se fosse a festa da compaixão a única coisa realmente importante passava a ser o sofrimento do próximo, que é bastante real. Mas claro, o miúdo do lado que não tem dinheiro para comprar um livrito, e as pessoas em África, e o perú, ou cabrito, ou bacalhau, ou whatever, que está morto e cozinhado na mesa, esses não contam, porque nesta "festa da compaixão" o que conta é participar naquelas campanhas e fazer a boa acção do ano.
Mas como o Natal é a festa do consumismo, nenhum destes problemas se põe, porque o que é verdadeiramente importante nesta festa já é considerado importante: os presentes. Sim, dar chocolates, e meias, e pijamas, e mais chocolates, e brinquedos, e chocolates, e dinheiro e chocolates. Isso sim, é o natal. Felicidade, felicidade, vamos todos receber presentes! Felicidade, felicidade, vamos todos passar (ou melhor, vão as mães da família passar) umas 50 horas num centro comercial a ver disto e daquilo para dar àquele e àquela. Felicidade, felicidade, vamos gastar um dinheirão em coisas inúteis, em coisas lindas, em coisas que vão trazer a alegria eterna a quem as vai receber! Oh, que felicidade.
E quando este Natal já tiver passado, lá vão estar as pessoas a pensar no próximo. Não a pensar quando a família vai estar toda junta outra vez, não a pensar quando é que se têm que preocupar outra vez com as crianças de áfrica e os miúdos do hospital, mas sim a pensar no que é verdadeiramente importante: os presentes. Felicidade, esta jarra posso dar à não-sei-quantas no próximo natal; felicidade, recebi o não-sei-quê que queria tanto e que me vai fazer tão incrivelmente feliz agora que o tenho; felicidade.
E quanto a celebrar o nascimento de Jesus... Quando alguém faz anos, mesmo que a festa esteja a ser feita sete meses mais tarde, é o aniversariante que recebe prendas, normalmente. Então, já que tem que haver presentes à mistura, dêem-lhe os presentes a ele. "Sejam misericordiosos" Ele ia achar fixe. "Ama o próximo" Digo eu.
E aqueles que não celebram esse nascimento, ou que o celebram a horas, qual é o objectivo do natal? Ah, claro. São os presentes. E aquela alegria toda. E os postalinhos de natal, esse desperdício de papel (pensem nas árvores!), e uma autentica hipocrisia também. Tirando os da companhia de seguros. Esses de certeza absoluta que querem que nós aqui tenhamos um óptimo natal, e um mui próspero ano novo. Mas os presentes, os presentes! Ah, que felicidade.
Pois eu passava muito bem sem o natal. Só que, como todos os espinhos, também este tem uma rosa agarrada. E se o natal é a maneira de as pessoas se juntarem, então que seja. Mais vale um dia por ano que nenhum dia por ano.
E se por acaso andar por aí alguém que esteja a pensar dar-me seja o que for de presente de natal, já disse que não quero nada, e falo a sério.
...e, fsht, lá se foi a Musa. Ela não gosta do Natal, está visto.





2 Copo(s) de suntory:
Enfim, mais uma vez, acho q exageras =P sim, tens razão naquilo tudo que dizes, sem dúvida, mas o mais importante no Natal é o que TU fazes dele. Se as pessoas que passam o mês anterior a fazer compras e se lembrar 0.000000003 milésimos de segundo nas pessoas que não podem fazer o mesmo, é lá com eles. Que vivam em paz com a sua consciência. O que me importa é o que EU faço no Natal. E sim, passo tempo de qualidade (o que é bastante difícil, ora anda cá ver como é simpática a minha tia que [não, nunca oferece nada] insiste em vestir-se à séc. XVIII e se lembra de contar pela 300ª vez o que o meu pai fazia quando era pequenino =P), e sim, também recebo presentes. Será que não pode haver um meio termo? Porque havemos de radicalizar? *
p.s. a parte da tia é a brincar =P ela é mesmo simpática, e é da maneira que depois vou conseguir reproduzir aos meus netos até a cor das cuecas que se usava na altura! xD
Claro que pode haver um meio termo, mas como é que se chega a esse meio termo? Acho difícil...
E continuo a dizer que prefiro um bom jantar em família a um 'natal'. Chama-me lá exagera a ver se eu me importo. Hmpf.
:P
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