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sábado, abril 16, 2005

Os inocentes morrem...

Tanto sangue... Sangue nas mãos, sangue na roupa, sangue na cara, sangue no corpo todo, sangue no chão, sangue nas paredes, sangue nos livros, sangue nos olhos, sangue na cozinha, sangue nos campos, sangue nas lâminas, sangue no espírito, sangue na consciência, sangue na vida, sangue no prato, sangue no estômago, sangue derramado, sangue, sangue em todo o lado.

É o sangue deles, mas podia ser o teu.

Gritos desesperados das mães, gemidos amargurados, olhares de profunda tristeza, vultos curvados a um canto, de cabeça caída, vazios de esperança, uma resignação dolorosa de presenciar. Um balido desvitalizado, a cacofonia de um milhão de vidas desprovida de sentido amontoadas atrás das grades, os gritos aterrados, a confusão solitária, lágrimas secas que rolam de uns olhos que nunca viram o sol, uns olhos onde se espelha toda a brutalidade, janelas para a dor, pura, nua, e crua. Lamentos que todos ouvem e todos ignoram.

Eles choram. Podia ser o choro de uma criança.

Os que têm o infortúnio de não serem fortes o suficiente para resistir a doenças, os que têm ossos que não se voltam a pôr inteiros, ou que ficam demasiado fracos para se levantarem, os que não conseguem andar, os que nem sequer se conseguem alimentar, os que já foram consumidos por completo pelo desespero, os que já não se importam, esses são deixados para trás, para morrerem sozinhos num poço escuro de angústia.

Os outros, os que têm a desventura de aguentarem todas as outras torturas, esses são levados para morrerem acompanhados. Esses vêem o seu sangue ser derramado, esses sentem a mão fria mas confortante da morte tocar-lhes, pouco a pouco, invadir-lhes o espírito à medida que se esvaem em sangue. Esses têm a oportunidade de poderem ser cozidos vivos, de serem esfolados enquanto ainda estão conscientes, de serem brutalizados na hora da morte ainda mais do que foram em vida.

Eles sentem. A dor é deles, mas podia ser de outro inocente. Podia ser tua. ...és inocente?

Os filhos são arrancados do seio das mães, os parentes afastados, os amigos, se fossem permitidos, veriam igualmente os seus laços rasgados. Estão vivos, mas será isto vida?

Já alguma vez presenciaste profundo e desesperado sofrimento? Já alguma vez olhaste para um par de olhos e viste nele a morte?

Porque é que eles têm de morrer?! Porque é que eles têm de morrer...?

Ao menos a morte liberta-os... Mas há outra maneira de os libertar.

O que está no teu prato é a dor deles. O que está na tua boca é o sangue deles. Os teus sapatos são as suas lágrimas, o teu casaco é o seu desespero, esse cosmético foi a sua miséria. O teu divertimento é a sua ferida aberta. O sangue deles está nas tuas mãos. Está nas minhas mãos.

O sangue deles foi derramado pela nossa mão, a mesma mão que os pode libertar. Esta mão poderosa pode castigar ou libertar... A mão do Homem é a mão de Deus. É justo, este Deus?

Libertem os inocentes!

2 Copo(s) de suntory:

Anonymous Anónimo bebeu e comentou:

Palavras pra quê? Apenas uma pequena experiência pessoal: "no outro dia tive um almoço que não passou de batatas fritas, passei o dia cheio de fome pq me esqueci que não tinha guito na carteira, mas o pq desse almoço não foi o microondas ter queimado a pizza ou o arroz, mas esse almoço ser costoletas sangrentas onde so podia ver morte e tortura e que me dava vómitos só de pensar em comer..." Bem... talvez tenha exagerado mas foi uma cena assim =p

domingo, 17 abril, 2005  
Blogger SuntoryTime bebeu e comentou:

Gostei imenso do poema, black bird. Senti as tuas palavras =(

sábado, 22 abril, 2006  

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