A Menina e o Figo
Transcrevo, ipsis verbis, o texto da página 80 de um infame manual de português da terceira classe:
A Menina e o Figo
Uma madrasta tinha uma enteada muito linda e com uns cabelinhos muito loiros. Costumava mandá-la para o quintal guardar um figo que tinha na figueira, recomendando-lhe que não o deixasse comer pelos pássaros, pois, se tal acontecesse, a matava.
Um dia que a menina estava descuidada, veio um passarinho e levou o figo no bico. A menina chorou e tornou a chorar, mas a madrasta não se comoveu e enterrou-a no quintal.
Passado tempo, nasceu uma roseira na sepultura da menina. Ora, a mestra que tinha ensinado a pobre rapariga a ler, notando a falta dela, foi a casa da madrasta e perguntou o que era feito da menina. A madrasta respondeu que não sabia e mandou-a passear para o quintal com as outras meninas. Uma delas, vendo a roseira, arrancou uma rosa e ouviu vozes que diziam:
- Não me arranques o meu cabelo,
Que a minha mãe mo criou,
Meu pai mo penteou,
Minha madrasta me enterrou
Pelo figo da figueira,
Que o passarinho levou.
A mestra foi logo dar parte disto á justiça, que mandou cavar a terra e encontrou a menina ainda viva. Mandou prender a madrasta, a menina foi para a companhia da mestra e veio a ser muito feliz.
(Adolfo Coelho, Contos Populares Portugueses (adaptado))
Digam lá se isto é coisa que dê a ler a miúdos de sete anos! É que eles também acham estúpido… E depois o Sr. Adolfo Coelho (que este manual parece que adora) é que fica com a fama... Conversa verídica:
- Tu não achas esta história meio parva?
- Oh! É do Adolfo Coelho…!





2 Copo(s) de suntory:
Depois andam esses míudos por aí a enterrar figos no quintal! (Algo me diz que isto não tem nada a ver =P)
Ah ah :P
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